China censura sites com rumores de golpe de estado

Os maiores sites de microblogging da China têm os comentários bloqueados depois de terem sido “penalizados por permitirem a propagação de rumores” de um golpe de estado em Pequim.

Sina Weibo, versão chinesa do Twitter e o Tencent QQ, outro site de microblogging, foram censurados com o objectivo de “limpar os rumores e outra informação ilegal propagada através de microbloggings”, informa a agência de notícias Xinhua.

As secções de comentários serão desabilitadas até 3ª feira. Os sites de microblogging têm sido “criticados e punidos” por oficiais em Pequim e Guangdong.

As autoridades também fecharam 16 sites e detiveram 6 pessoas, reporta a Xinhua, por alegadamente propagarem rumores de “veículos militares a entrar em Pequim e algo estranho a acontecer lá”, informou um porta-voz do Gabinente do Estado para a Informação na Internet.

Um número desconhecido de pessoas reportou também que os rumores foram “admoestados e educados” mas“foi visível o arrependimento”, informa um polícia de Pequim.

Os rumores de um golpe de estado

A Internet da China foi inundada na semana passada por rumores de um alegado golpe de estado, depois da demissão repentina no princípio de Março de Bo Xilai, membro do Politburo do Partido Comunista e chefe do partido de Chongquing.

As discussões dos internautas acerca do assunto foram censuradas. Na semana passada no Weibo, os bloggers que escreveram o nome de Bo Xilai ou mesmo as iniciais “BXL” e palavras homófonas, recebiam a resposta automática: “Devido a  regulações e políticas relevantes, os resultados da pesquisa por “Bo Xilai” não serão mostrados”.

Zhang Zhi An, um professor associado de jornalismo na Universidades Sun Yat-sen em Guangzhou, afirma que as acções do governo “não surpreendem”“O governo tem receio que a informação tenha como objectivo mobilizar, que preocupe as pessoas acerca da estabilidade da sociedade”, diz Zhang que participava numa conferência sobre activismo nos microblogs na Universidade Fudan em Shangai no Sábado.

“A informação colocada dá a entender que há um grande conflito no Partido Central, e penso que o Partido não aceita este facto. Este é um sinal muito claro para os internautas, estes devem ser responsáveis pelo que publicam online. Se não é verdade, se é falso, se vem da sua imaginação, vamos tomar providências para o punir.” – Zhang Zhi An, professor associado de jornalismo na na Universidades Sun Yat-sen em Guangzhou.

Esta é a segunda vez que o governo tomou medidas sérias contra os microblogs da China, diz Zhang. A primeira vez foi em 2009 quando dezenas de sites similares ao Twitter foram simplesmente fechados pelo governo. Desde então, dois principais players emergiram no mercado – o Sina Weibo e o Tencent QQ.

Estas plataformas tiveram um crescimento explosivo nos últimos anos e muitas se tornaram fontes alternativas de informação para o país com 500 milhões de internautas que publicam informação não reportada nosmedia controlados pelo Estado.

Mesmo assim, estas plataformas têm sido fontes de preocupação para os oficiais que receiam a sua utilização para fins de mobilização de protestos e outros movimentos que possam prejudicar a estabilidade social, afirma Zhang.

Num esforço para tentar prevenir a propagação de rumores e outra informação considerada sensível e imprecisa, o governo implementou recentemente uma política que requer a todos os utilizadores de microblogs o registo das suas contas utilizando nomes reais. Sina Weibo e outras plataformas de microblogging deveriam, supostamente, ter implementado esta política de registo com o nome real até 16 de Março. Nesse dia, apenas 19 milhões de 300 milhões de utilizadores registaram o seu nome real, de acordo com a Marbridge Consulting.

Fonte: Pplware

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